Azores in a Box

Azores in a box é um projeto criado pelo Centro Regional de Apoio ao Artesanato que visa promover os produtos artesanais açorianos.
São produtos tradicionais genuínos, signos de identidade local, que transportam histórias que fazem parte da memória coletiva dos Açores.

As Artes e os Ofícios têm um papel muito importante na afirmação das identidades locais, mantendo e preservando um vasto espólio de memórias e património etnográfico.
Da linha de kits promocionais Azores in a box fazem parte produtos das diferentes atividades artesanais açorianas, subordinados a temáticas variadas, como religião, olaria, folha de milho, brinquedos, entre outros.

Inicialmente os kits estão disponíveis para venda no Centro Regional de Apoio ao Artesanato e no Louvre Micaelense em Ponta Delgada.

 

Boneca de folha de milho e pregadeira de palhinha

A cultura do milho foi introduzida em São Miguel no século XVII e, desde logo, trouxe melhorias à alimentação das populações e dos animais de criação. Há semelhança das folhas de dragoeiro, as folhas de milho também eram aproveitadas para a produção de artefactos, objetos decorativos e utilitários, como os capachos, esteiras, chapéus, flores, entre outros.

Na debulha do milho aproveitava-se tudo: espiga, folhas e até as barbas. O aproveitamento das folhas secas e das barbas deu origem às típicas bonecas de folhelho, de antigo entretenimento infantil e emblemática do artesanato regional.

O aproveitamento do trigo, cereal de cultivo outrora significativo nas ilhas, deu lugar à elaboração de produtos utilitários como esteiras, tapetes e chapéus.

Atualmente a matéria-prima e as técnicas empregadas na realização dos produtos típicos, são igualmente utilizadas na produção de diversas peças de bijuteria contemporânea: colares, brincos, pulseiras e alfinetes.

A complexidade do processo, e a originalidade são características que transformam estas peças em objetos únicos.

folha milho

Senhor Santo Cristo dos Milagres

O culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres remonta ao séc. XVII com a chegada da irmã Anunciada ao convento da Boa Esperança. A irmã Anunciada adotou uma atitude de profunda devoção e entrega à antiga imagem do “Ecce Homo”. Com o apoio da população, a irmã Anunciada instituiu a festa anual do Senhor Santo Cristo dos Milagres, presente até aos dias de hoje, representando uma das maiores e mais antigas demonstrações de fé religiosa do país.

O culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres é o mote para a criação de vários objetos de artesanato regional, como as capas do Senhor Santo Cristo dos Milagres e os registos. As capas homenageiam o “Ecce Homo” e servem de proteção a quem a compra. Os registos são a reprodução da imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres e expressam a religiosidade do povo açoriano pelo culto a uma imagem secular.

O “Terço de Romeiro” é feito com sementes ou bagas do milho de Sabugueiro, originário do Brasil. São bagas que nascem naturalmente vidradas e furadas. O artesão molda o arame de forma a separar 59 pontas – as “Lágrimas de Maria”. Esta criação está ligada à tradição religiosa micaelense das romarias quaresmais, que tiveram início em 1522, após os tremores e erupções vulcânicas, em Vila Franca do Campo. É uma tradição micaelense, mas que já começa a existir noutras ilhas.

st cristo

Bonecas

O dragoeiro é uma árvore que se desenvolve nas ilhas da Macaronésia (Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias). Deve o seu nome à cor da seiva que quando em contacto com o ar oxida e forma uma substância pastosa de cor vermelho vivo, conhecida por sangue-de-drago ou dragão. A seiva extraída, solidificada e reduzida a pó era utilizada em áreas como a tinturaria e medicina tradicional.

Mas a utilização do dragoeiro não se cingia à seiva.

Com as folhas de dragoeiro também se faziam utensílios para o dia-a-dia, como capachos, vassouras, chapéus, entre outros. As crianças descobriram que, com alguma criatividade, conseguiam manobrar e utilizar a folha de dragoeiro para conceberem os seus próprios brinquedos.

A cultura do milho foi introduzida em São Miguel no século XVII e, desde logo, trouxe melhorias à alimentação das populações e dos animais de criação.

À imagem das folhas de dragoeiro, as folhas de milho também eram aproveitadas para a produção de artefactos, objetos decorativos e utilitários, como os capachos, esteiras, chapéus e flores. No período da desfolhada, as crianças aproveitavam as folhas e as barbas de milho para fazerem por exemplo, as bonecas.

As Labregas são bonecas feitas com o aproveitamento de tecidos e com o enchimento de aparas de madeira de criptomérias ou cedro. Nasceram de uma lenda da noite de 1 para 2 de fevereiro. Nessa noite, atormentavam as pessoas com ruídos estranhos e assustadores, pelo que a população evitava sair de casa e as mulheres juntavam-se para rezar cerca de 100 Ave-Marias.

Atualmente, as bonecas de folha de milho, de dragoeiro e as Labregas são peças emblemáticas do artesanato açoriano, nomeadamente das ilhas do Pico, do Faial e de São Miguel.

bonecas

Divino Espírito Santo

O culto do Divino Espírito Santo é celebrado em comemoração ao Pentecostes (cinquenta dias após a ressurreição). Do peditório e das novenas, à coroação e aos cortejos, a Festa do Divino Espírito Santo é a expressão mais viva desse misticismo cultural, onde o sagrado e o profano se encontram. Embora celebradas em todo o país, as Festas do Divino Espírito Santo têm uma maior expressividade nos Açores.

A cerâmica figurativa reproduz personagens da Festa do Divino Espírito Santo, nomeadamente os foliões. Os foliões do Divino com as suas cantigas participam na preparação da Festa do Divino, visitando as casas dos irmãos, cantando os feitos e os poderes do Divino Espírito Santo.

A bandeira do Divino Espírito Santo, considerado o maior símbolo desta manifestação religiosa, é confecionada em damasco vermelho vivo, sinal do amor de Deus, e representa o sangue dos mártires. É a bandeira de Deus e do seu Povo.

As Dezenas são um conjunto de 10 contas que representam as 10 Ave-marias e mais uma, que fica próxima do crucifixo, que simboliza um Pai-nosso. As Dezenas são feitas de bagas de sabugueiro, naturalmente vidradas e furadas, o que as torna originais e únicas.

espirito santo

Baleação

A imensidão azul do Oceano Atlântico traz uma sensação de mistério, de tranquilidade aos açorianos, mas também lhes aguça o espírito aventureiro.

Na 2ª metade do século XIX os açorianos “aventuram-se no oceano, com pequenas embarcações para a caça à baleia”, motor na economia de diversas ilhas, tendo tido uma maior expressão nas ilhas do Faial e do Pico.

A caça à baleia foi proibida em 1984 pelos tratados internacionais da International Walling Commission (IWC), o que levou a um desenvolvimento da indústria do Whale Watching, que teve um crescimento, nos últimos 20 anos.

Nos Açores, a tradição e a cultura da baleação persistem com orgulho. O vasto património baleeiro tem sido mantido e recuperado, desde 1997, para fins culturais e desportivos, como é o caso da recuperação das antigas fábricas, transformadas em casas culturais e museus, e da promoção de regatas de botes baleeiros em remos e vela nas festas tradicionais.

As miniaturas em madeira são uma tradição artesanal dos Açores, que reconstituem cenários e instrumentos da vida rural. O bote baleeiro e a baleia são representativos da indústria e cultura baleeira que tanto orgulham os açorianos.

kit baleaçao

Brinquedos Etnográficos

O artesanato açoriano, através de peças decorativas ou utilitárias, representa a diversidade cultural de um povo “ilhéu” e retrata a vida do seu dia-a-dia. Igualmente os materiais utilizados, normalmente os que a terra e o mar oferecem, dão uma imagem dos hábitos e costumes da região.

Esta identidade e cultura popular está refletida nos brinquedos artesanais, peças que invocam recordações e afetos de infâncias passadas. A madeira, o barro ou mesmo sobras de serragem servem para fazer pequenos brinquedos que fazem o deleite dos mais novos.

A carroça de cavalo, o apito de água e a bola de serrim são objetos simbólicos que continuam a desafiar a imaginação dos mais pequenos.

A carroça de cavalo, feita com sobras de madeira, apela a brincadeiras do faz-de-conta imitando cenas típicas açorianas que representam a economia agrícola presente nas diversas ilhas.

O apito de água, feito de barro em olarias regionais, atrai a criançada com o seu som particular, reproduzindo o cantar/assobio de um passarinho com um simples sopro de ar.

A bola de serrim feita com aparas de madeira embrulhadas em papel de prata e presa por um fino elástico é uma versão arcaica do “ioiô”, mas a magia deste simples brinquedo é inconfundível e intemporal.

infantil

Menino Mija?

Os presépios açorianos apresentam temáticas muito diversificadas. A cerâmica figurativa reproduz cenas bíblicas, mas também cenas da vida real, trazendo uma dinâmica própria que perpetua a natividade de Cristo.

Os presépios de Lapinha tradicionais dos Açores remontam ao final do século XVIII, início do século XIX e apresentam-se normalmente em redomas ou caixas de vidro. São decorados com materiais tão diversos como musgo, flores, conchas marinhas, entre outros. Pelo seu simbolismo e beleza mantêm-se expostos nas casas açorianas durante todo o ano.

“O Menino mija?”- esta é a pergunta que se impõe entre o dia 24 de dezembro e o dia 6 de janeiro quando se visitam amigos e familiares, numa forma tradicional e original de celebrar o nascimento de Cristo. De casa em casa, vão-se partilhando doces e degustando licores típicos, no artesanal penico de cerâmica, numa convivência alegre própria do espirito da época.

Lapinha