2025 em retrospetiva
O Centro de Artesanato e Design dos Açores – CADA - deseja a todos um Feliz e Próspero Ano de 2026. Em jeito de retrospetiva, neste mês em que se pretende iniciar um novo ciclo, serve-nos também relembrar tudo aquilo que se tem feito, relembrar que o Artesanato está bem e recomenda-se. Será justo afirmar que se atravessa uma fase de renovação e desafio, em que se procuram novos meios e novas estratégias para elevar e transmitir o conhecimento do que é nosso, ou seja, o Artesanato, a História, a Etnografia e principalmente o Saber-Fazer.
Algo que marcou em grande o ano de 2025 foi a abertura da plataforma online do Artesanato dos Açores, nas suas várias valências e que em muito veio facilitar e agilizar a prestação de serviço às nossas Unidades Produtivas Artesanais – UPA’S/artesã(o)s. Ao longo de 2025 foram já, por este meio, efetuadas 68 inscrições de novos artesãos.
As Feiras de artesanato presentes ao longo do ano nas várias festividades das ilhas do nosso Arquipélago, são uma fonte e uma forma inestimável de dar a conhecer as Unidades Produtivas Artesanais, bem como de rentabilizar a sua produção.
Nas 10 edições da Expo Açores Artesanato, não esquecendo a FIA – Feira Internacional de Artesanato (Lisboa em junho/julho), tomaram parte mais de 230 artesãos: Sto. Cristo dos Milagres em maio (S. Miguel); Sanjoaninas em junho (Terceira); Semana Cultural da Velas em julho (S. Jorge); Festas da Calheta em julho (S. Jorge); Festas da Praia da Vitória em agosto (Terceira); Semana do Mar no em agosto (Faial); Sto. Cristo dos Milagres em agosto (Graciosa); Semana dos Baleeiros em agosto (Pico); Expo Açores Artesanato em novembro (S. Miguel).
Uma outra forma de manter desperta a atenção do público para o artesanato foi através de exposições bimensais na Loja Azores in a Box e as várias dinâmicas que foram criadas entre artesãos e público, com mostras e pequenos workshops, de destacar temáticas como: “Lã – fiar, tecer, tricotar”, nos meses de janeiro e fevereiro; “Metais” que durante os meses de março e abril mostraram as várias formas de utilizar e reutilizar o metal; ainda no mês de abril a ceramista Alexandra Seabra teve uma pequena mostra dos seus trabalhos paralelamente com a exposição “Metais”; nos meses de maio e junho a Azores in a Box recebeu a exposição de Vasco Melo e Sousa “Arte de trabalhar materiais sintéticos”; durante os meses de julho e agosto foi a vez da “Fibra de bananeira” com a @musaazores; já nos meses de setembro e outubro foi a cerâmica, mais propriamente a “Técnica RAKU”, apresentada pelo ceramista Paulo Alves e, no final do ano, a exposição “Formas de Natal” nos meses de novembro e dezembro, com toda a certeza que 2026 trará novas mostras de muito talento dos artesãos e artesãs açorianos.
O ano de 2025 ficou, à semelhança de anos transatos, registado pela forte aposta em parcerias com outras entidades com diversas iniciativas, como workshops, exposições, apenas para mencionar os principais. A colaboração do CADA com o Museu Carlos Machado com a exposição e produção do catálogo Requinte e Delicadezas- A coleção privada de Maria Jovita de Medeiros Negalha, resultou também num workshop de escama de peixe. Uma das maiores e mais longas parcerias de 2025 terá sido a que se realizou de agosto a outubro entre o CADA e o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas com a exposição “Produção artesanal portuguesa: a atualidade do saber-fazer ancestral”. Uma iniciativa da Direção Geral das Artes, através do Programa Saber Fazer em colaboração com o Centro de Artesanato e Design dos Açores da qual resultou uma série de workshops e atividades mostrando formas de transformar as artes ancestrais em potenciais fontes de rendimento.
No âmbito do Azores Craft Lab numa parceria com o Centro de Qualificação dos Açores realizaram-se várias formações num formato bastante completo: na área da lã, “Desde preparação de fibras têxteis até à tecelagem”, o que inclui a lavagem, limpeza, fiação e tecelagem. Toda esta cadeia de conhecimento terminou numa exposição na Loja Azores in a Box: “Lã – fiar, tecer, tricotar”. Em colaboração com a RARA, uma formação com residência criativa sobre vimes e espadana realizada em Ponta Delgada e que contou com a participação dos artesãos Alcídio Andrade e Bento Silva, e dos designers Migue Flor e Soraia Gomes Teixeira.
Um pouco por todo o Arquipélago, muitos foram os Workshops do programa Hora do Ofício, que tiveram lugar, nomeadamente:
na ilha do Faial, durante o mês de abril, - Miolo de figueira, orientado pela artesã Helena Henriques; Técnica de Bordados, na Graciosa com a artesã Oldemira Livramento Aguiar; em Sta. Maria e orientado por Renato Costa e Silva e Kirsten Thomas realizou-se o workshop “Do barro de Sta. Maria à roda do oleiro”; Em S. Jorge, e no âmbito do Festival da Biosfera também se realizou um workshop de tecelagem infantil. Já em julho e com a artesã Isabel Silva Melo, mais um grupo teve a oportunidade de se dedicar à aprendizagem da arte de trabalhar a escama de peixe. Ainda no âmbito da Hora do Ofício em São Jorge realizou-se Workshop de Olaria conduzido por António Pedro e Costura Criativa realizado com a orientação de Maria da Luz Graças. Na ilha do Corvo a artesã Fátima Freitas orientou um Workshop de escamas de peixe.
A atenção e cuidado à qualidade dos produtos artesanais traduz-se no número de artesãos que têm vindo a receber os diferentes referenciais de qualidade, ou seja, falamos de Certificação.
No mês de outubro de 2025 realizou-se mais uma reunião da Comissão de Acompanhamento Técnico (C.A.T.) para avaliar os artigos dos 19 artesãos que submeteram requerimento para obter autorização de utilização do selo Marca Coletiva Artesanato dos Açores. Desta reunião resultaram 16 artesão aptos a utilizar o selo Marca Coletiva Artesanato dos Açores.
A 5 dezembro de 2025, numa cerimónia que teve lugar no coro baixo do Palácio da Conceição em Ponta Delgada, as primeiras 10 artesãs receberam o selo de Certificação Europeia de Indicação Geográfica (IG) em Registos do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
